Quando tinha 14 anos fiz o meu primeiro amigo do género masculino. Não era um rapaz com quem eu me dava bem, com quem eu me ria, porque amizades dessas já eu tinha. Era isso tudo, mas acima de tudo,um amigo! Daqueles a quem contamos tudo, que nos conhecem como ninguém, a quem ligamos só para dizer olá. Era no ombro dele que chorava sempre que as coisas corriam mal. Crescemos e a nossa amizade cresceu connosco. Arranjámos namorados. Tanto o meu namorado como a namorada dele eram uns trastes. Eu tentava fazê-lo ver isso em relação a ela e ele tentava fazer-me ver isso em relação a ele. Ele não gostava do que ouvia, assim como eu não gostava do que ouvia, mas tudo bem. Até ao dia em que por um telemóvel estragado ele não me respondeu mais às mensagens, enquanto falávamos dos nossos respectivos. Passados uns dias mandei-lhe outra mensagem a convidá-lo para um café. Também não obtive resposta. E o mesmo aconteceu do outro lado. Entretanto eu achei que ele estava chateado comigo e ele achou que eu estava chateada com ele, por causa do conteúdo sensível das nossas conversas. Do alto do meu orgulho não voltei a falar com ele e adivinhem só... ele também não voltou a falar comigo. Foram dois anos e meio assim. Tínhamos amigos em comum e este era um assunto tabu. Eu não falava dele, ele não falava de mim e os nossos amigos não falavam de nós. Por vezes encontrávamo-nos em aniversários, cumprimentávamo-nos e nada mais que isso. Eu sentia saudades dele, muitas, mas não dava o braço a torcer. Uma noite, num jantar em que ambos tínhamos bebido um pouquinho mais que a conta, conversámos. Eu chorei que nem uma desalmada agarrada a ele. Fizemos as pazes, mas é diferente. Já não é a mesma coisa, não sei se virá a ser, mas eu gostava que sim. E conto tudo isto porquê? Porque um outro amigo de quem eu gosto muito está prestes a perder a pessoa de quem gosta por orgulho. Porque quando ele andava atrás dela, ela não sabia bem o que queria e ele agora não está para isto. Nãao, não pode ser. Temos todos de parar de ser estúpidos e de afastar ou perder as pessoas de quem gostamos por parvoíces, por orgulho. Temos de pensar que estas atitudes podem trazer consequências irreversíveis. Eu, a pessoa mais orgulhosa à face da terra, começo a perceber isso da pior maneira. E vou (tentar) fazer um esforço para mudar. Errar é normal, aprender e voltar a errar é burrice. Eu não quero voltar a fazer burrices, mas não prometo nada.
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