Eu, que sou uma rapariga friorenta, gosto muito de gorros, luvas, cachecóis, meinhas de lã e de um saquinho de água quente na cama. Ontem, para não ser excepção, enchi o meu saco com água a ferver e lá fui eu para a caminha. Podia ter-me sabido bem, não fosse três minutos depois o saco rasgar e um rio de água a ferver desaguar sobre o meu pé esquerdo. Como não podia deixar de ser, comecei a lacrimejar enquanto gritava "aaaaaah, aaaaaah". Lá me leventei e fui pôr o pé debaixo de água fria, até sentir os ossinhos doer. Regressei ao quarto, besuntei-me em Biafine e fui ver o estado da cama. Como já não sou menina de fazer xixis na cama, o meu resguardo não é impermeável e todo o meu colchão estava encharcado. As coisas não são para estragar e, pacientemente, peguei no secador e tive uma hora com que me entreter. Ninguém acordou, nem nenhum dos cães me veio dar uma lambidela amiga. Acabei por ir montar tenda no quarto da minha irmã. E o pé ardia, ardia, ardia... Foi triste.
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